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Realismo & Naturalismo

 

 

Sobre o estilo

A literatura, como reflexo do contexto histórico-cultural, sofre uma grande modificação na
Segunda metade do século XIX. Agora, o belo na arte é mutável como a moda, o que provoca sucessivas mudanças. A burguesia está agora em crise ideológica que deve-se ao fato da realidade social ter mudado. Surge o proletariado, que trabalha na indústria, vive aglomerado. Invertem-se os papéis: a burguesia é provocadora de injustiças (contradição ideológica), surge então uma nova ideologia: o socialismo.

O Realismo surgiu na Europa influenciado pelas importantes transformações econômicas, políticas, sociais e científicas da época. Vivia-se a segunda fase da Revolução Industrial, período marcado pelo clima de euforia e progresso material que a burguesia industrial experimentava. Apesar disso, a condição social do proletariado era cada vez pior e começava a organizar-se, motivados pelas idéias do socialismo utópico de Proudhon e Robert Owen e do socialismo científico de Karl Marx e Friedrich Engels.

Ocorre também uma verdadeira efervescência de idéias, considerada por alguns como uma segunda etapa do Iluminismo. Surgem correntes científicas e filosóficas de destaque, como o Positivismo de Augusto Comte,. para o qual o único conhecimento válido é o que vêm das ciências; o Determinismo, de Hippolyte Taine, que defende que o comportamento humano é determinado pelo meio, a raça e o momento histórico; e a seleção natural de Charles Darwin. Surgem ainda a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia.

Com toda esta revolução intelectual, surge a necessidade de uma literatura que refletisse todo este avanço da razão - ao contrário do que fazia o Romantismo ao valorizar os sentimentos. Aparece então o Realismo, que combate toda forma romântica e idealizada de ver a realidade. Há a crítica à sociedade burguesa e suas instituições (Estado, Igreja, casamento, família) e a preocupação de embasar-se nas novas descobertas científicas.

Ao lado do Realismo, surgem ainda as correntes literárias denominadas Naturalismo e Parnasianismo, de pequena penetração em Portugal. A primeira, que consiste na verdade em uma forma extremada de Realismo, procura "provar" com romances de tese as teorias científicas da época, particularmente o determinismo. O Parnasianismo por sua vez é uma corrente que combate os exageros de sentimento e de imaginação do Romantismo e tenta resgatar certos princípios clássicos de procedimento, como a busca do equilíbrio, da perfeição formal e o emprego da razão e da objetividade.

Os três movimentos tiveram ciclo na França, com a publicação do romance realista Madame Bovary (l857), de Gustave Flaubert; do romance naturalista Thérèse Raquin, de Émile Zola (l867), e das antologias parnasianas Parnasse contemporain (a partir de 1866).

A literatura realista e naturalista surge na França com Flaubert (1821-1880) e Zola (1840-1902). Flaubert (1821-1880) é o primeiro escritor a pleitear para a prosa a preocupação científica com o intuito de captar a realidade em toda sua crueldade. Para ele a arte é impessoal e a fantasia deve ser exercida através da observação psicológica, enquanto os fatos humanos e a vida comum são documentados, tendo como fim a objetividade. O romancista fotografa minuciosamente os aspectos fisiológicos, patológicos e anatômicos, filtrando pela sensibilidade o real.

Contudo, a escola Realista atinge seu ponto máximo com o Naturalismo, direcionado pelas idéias materialísticas. Zola, por volta de 1870, busca aprofundar o cientificismo, aplicando-lhe novos princípios, negando o envolvimento pessoal do escritor que deve, diante da natureza, colocar a observação e experiência acima de tudo. O afastamento do sobrenatural e do subjetivo cede lugar à observação objetiva e à razão, sempre, aplicadas ao estudo da natureza, orientando toda busca de conhecimento.

Alfredo Bosi assim descreve o movimento: "O Realismo se tingirá de naturalismo no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeterem-se ao destino cego das "leis naturais" que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano, na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito".



O Realismo em Portugal

O Realismo tem Portugal iniciou-se com a famosa Questão Coimbrã. Ela inicia-se quando o respeitado e conservador poeta Castilho escreve um posfácio de um livro de Pinheiro Chagas, seu protegido, criticando um grupod e jovens poetas de Coimbra, que acusa de exibicionismo. Ele cita Teófilo Braga, Vieira de Castro e Antero de Quental.

Antero de Quental responde a Castilho com uma carta aberta, em forma de panfleto, intitulada "Bom senso e bom gosto". Para Antero, a agressão sofrida era, na verdade, uma reação do velho contra o novo, do conservadorismo contra o progresso. A Questão Coimbrã durou todo o segundo semestre de 1865, com publicações em defesa e ataque de ambos os lados. Participaram dela também, dentre outros, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão e Pinheiro Chagas. Eça de Queirós, embora fizesse parte do grupo de Coimbra, não interveio na polêmica.

Por volta de 1870 e tendo já concluído os estudos universitários em Coimbra, o grupo de amigos se reencontra em Lisboa e passa a travar debates acerca da renovação cultural portuguesa. A volta de Antero de Quental - que estivera na França, na América e na ilha de São Miguel - dinamiza essas reuniões, que passam a contar com leituras sistematizadas (principalmente de Proudhon) e a ter um objetivo definido. Como resultado desse esforço, nasce a iniciativa ambiciosa das Conferências Democráticas, que visavam à reforma da sociedade portuguesa.

Depois de proferidas cinco conferências - das quais duas eram de Antero e uma de Eça de Queirós -, o governo proíbe a continuidade do ciclo, alegando que os oradores suscitavam "doutrinas e proposições que atacavam a religião e as instituições do Estado".

Mas, apesar da censura, o Realismo já era vitorioso em Portugal e a partir de então se colheriam seus melhores frutos.

A poesia da época, a que genericamente se chama realista, alcançou grande prestígio e se desdobrou em quatro direções: a poesia realista propriamente dita, representada por Antero de Quental, Guerra Junqueiro, Gomes Leal, Teófilo Braga e outros, que se caracteriza pela crítica social; a poesia do cotidiano, representada por Cesário Verde, que procura incorporar à poesia certos aspectos da realidade até então considerados pouco poéticos; a poesia metafísica, representada por Antero de Quental, que se volta para as indagações em torno da vida, da morte e de Deus; e a poesia parnasiana.

Na prosa de ficção se destacam Eça de Queiróz, Fialho de Almeida e Abel Botelho. Eles dividem-se entre o ataque à burguesia, à monarquia, ao clero, às instituições sociais, aos falsos valores e o compromisso com a doutrinação moral, social e filosófica.


O Realismo no Brasil

No Brasil, o marco inicial é a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. O estilo se desenvolve no momento em que se discutia a Monarquia e a República, a escravidão e sua abolição. Como os autores portugueses, os brasileiros dedicam-se à crítica e ao estudo da sociedade e dos valores burgueses. No Brasil, entretanto, a corrente Naturalista ganha mais espaço e importância, com destaque para Aluísio Azevedo, Júlio Ribeiro, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio, Inglês de Sousa e Manuel de Oliveira Paiva. A principal influência portuguesa para estes escritores foi Eça de Queiroz.

Vindo da Europa com tendências ao universal, o Realismo acaba aqui modificado por nossas tradições e, sobretudo, pela intensificação das contradições da sociedade, reforçadas pelos movimentos republicano e abolicionista, intensificadores do descompasso do sistema social. O conhecimento sobre o ser humano se amplia com o avanço da Ciência e os estudos passam a ser feitos sob a ótica da Psicologia e da Sociologia. A Teoria da Evolução das Espécies de Darwin oferece novas perspectivas com base científica, concorrendo para o nascimento de um tipo de literatura mais engajada, impetuosa, renovadora e preocupada com a linguagem. No romance naturalista, o indivíduo é mero produto da hereditariedade e do meio em que vive. Assim, predomina o elemento fisiológico, natural, instintivo. Para dar vida a essa teoria, os autores colocam-se como narradores oniscientes e fazem descrições precisas, frias e minuciosas. As personagens são vistas como casos a estudar, sem aprofundamento psicológico. Algumas obras de destaque nesta linha são O cortiço, Casa de pensão e O Ateneu.

Os temas, opostos àqueles do Romantismo, não mais engrandecem os valores sociais, mas os combatem ferozmente. A ambientação dos romances se dá, preferencialmente, em locais miseráveis, localizados com precisão; os casamentos felizes são substituídos pelo adultério; os costumes são descritos minuciosamente com reprodução da linguagem coloquial e regional. Machado de Assis é um caso à parte. Em suas obras, as personagens têm seus retratos compostos através da exposição de seus pensamentos, hábitos e contradições, revelando a imprevisibilidade das ações e construção das personagens - o que não acontecia com os autores naturalistas. Raul Pompéia também tinha algumas características nesta linha, que conciliava com o lado naturalista.


Características do Realismo

Compromisso com a realidade
O Realismo-Naturalismo é contra o tradicionalismo romântico. Trata-se de uma arte engajada: ela tem compromisso com o seu momento presente e com a observação do mundo objetivo e exato.

Presença do cotidiano
Os escritores realistas-naturalistas consideram possível representar artisticamente os problemas concretos de seu tempo, sem preconceito ou convenção. E renovaram a arte ao focalizarem o cotidiano, desprezado pelas correntes estéticas anteriores. Daí que os personagens de romances realistas-naturalistas estejam muito próximos das pessoas comuns, com seus problemas do dia-a-dia, com suas vidas medianas, cujas atitudes devem ter sempre explicações lógicas ou científicas. A linguagem é outra preocupação importante: ela deve se aproximar do texto informativo, ser simples, utilizar-se de imagens denotativas, e as construções sintáticas devem obedecer à ordem direta.

Personagens tipificados
Os personagens de romances realistas-naturalistas são retirados da vida diária e são sempre representativos de uma categoria - seja a um empregado, seja um patrão; seja um proprietário, seja um subalterno; seja um senhor, seja um escravo, e daí por diante. Os personagens típicos permitem estabelecer relações críticas entre o texto e a realidade histórica em que ele se insere: isto é, embora os personagens sejam seres ficcionais, individuais, passam a representar comportamentos e a ter reações típicas de uma determinada realidade.

Preferência pelo presente
Geralmente os escritores realistas-naturalistas deram preferência ao momento presente: as narrativas estavam ambientadas num tempo contemporâneo ao do escritor. Com isso, a crítica social ficaria mais próxima e mais concreta. Nesse sentido, a literatura ganha um papel de denunciadora do que havia de mau na sociedade. Outro aspecto dessa preferência pelo momento presente é o detalhismo com que é enfocada a realidade, fato explicável pela proximidade.

Preferência pela narração
Ao contrário dos românticos, que privilegiaram a descrição, os realistas-naturalistas deram ênfase à narração do fato: o que acontece e por que acontece são as preocupações desses escritores.

Anticlericais, antimonárquicos, antiburgueses
Os realistas-naturalistas são marcadamente contra a Igreja, que apontam como defensora de ideologias ultrapassadas, como, por exemplo, a monarquia. Também criticam acirradamente a burguesia, que encarna o status romântico em geral.

 

 

Autores

<<A>>

Aluísio Azevedo


<<M>>

Machado de Assis
Manuel Antônio de Almeida


<<R>>

Raul Pompéia


livros resumidos


<<A>>

A Condessa Vesper,
de Aluísio Azevedo
A Mortalha de Alzira,
de Aluísio Azevedo
A semana,
de Machado de Assis




<<B>>

Balas de estalo, de Machado de Assis
Bons dias,
de Machado de Assis

<<C>>

Casa de Pensão, de Aluísio Azevedo
Casa velha,
de Machado de Assis
Contos de Machado de Assis I
Contos de Machado de Assis II

<<D>>

Decadência de dois grandes homens, de Machado de Assis
Dom Casmurro,
de Machado de Assis

<<E>>
Esaú e Jacó, de Machado de Assis

<<F>>

Filomena Borges, de Aluísio Azevedo

<<G>>

Girândula de Amores, de Aluísio Azevedo


<<H>>

História de quinze dias, de Machado de Assis
Histórias sem data, de Machado de Assis

<<L>>


Livro de uma Sogra, de Aluísio Azevedo


<<M>>

Memorial de Aires, de Machado de Assis
Memórias de um sargento de milícias,
de Manuel Antônio de Almeida
Memórias póstumas de Brás Cubas,
de Machado de Assis
Missa do Galo,
de Machado de Assis

<<N>>

Notas semanais, de Machado de Assis


<<O>>

O Ateneu, de Raul Pompéia
O Cortiço,
de Aluísio Azevedo
O dicionário
, de Machado de Assis
O Escravocrata
, de Artur Azevedo e Urbano Duarte
O Mulato,
de Aluísio Azevedo


<<Q>>

Quincas Borba, de Machado de Assis


<<R >>

Relíquias da Casa Velha
, de Machado de Assis




<<S>>


Suplício de uma mulher,
de Machado de Assis



<<U >>

Um apólogo (A agulha e a linha)
, de Machado de Assis



<< V>>


Várias Histórias
, de Machado de Assis

 


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